Category Archives: Planeta sustentável

A bolha verde

Depois do petróleo, venha o CO2!

The Story of Cap & Trade from Story of Stuff Project on Vimeo.

“The overwhelming evidence is that the European Trading Scheme is retarding rather than driving emission drops.”Gar Lipow.

Por António Cerveira Pinto

Os mesmos ogres (Goldman Sachs) do Capitalismo suicida que imaginaram as bolhas especulativas, ou melhor dito, as pirâmides Ponzi conhecidas por dot-com bubble e Subprime mortgage crisis querem agora que os governos de todo o mundo se precipitem para a super bolha que promete acabar de vez com a civilização tal qual a conhecemos.

Com o cândido hino ao combate às alterações climáticas provocadas pelas emissões de gases com efeito de estufa, os ogres da Goldman Sachs já convenceram os piratas de grande parte dos governos mundiais a fazer duas coisas: atacar com novas taxas e auditorias energéticas (para inglês ver), a generalidade das populações e, por outro lado, criar um gigantesco mercado de especulação em volta da negociata dos créditos de CO2.

O resultado deste estratagema será, antes de a super bolha explodir (numa III Guerra Mundial?), aumentar ainda mais a actual produção de gases com efeito de estufa, sobretudo oriundos do carvão e do petróleo, mas reservando tal consumo apenas para os países, grupos económicos e classes sociais com capacidade económica para acompanhar a inflação exponencial do direito de poluir, em detrimento de quem não puder pagar no futuro os exorbitantes custos das licenças de emissão de CO2 cotadas em Wall Street, Frankfurt e Xangai.

Ainda vamos porém a tempo de desmascarar mais este embuste, fazendo nomeadamente recuar a União Europeia perante o que se afigura ser um crime de incalculáveis consequências!

O escândalo em volta do chamado Climategate (1) veio subitamente suscitar uma discussão pública, mais detalhada sobre as ameaças efectivas que pesam sobre a humanidade, fruto das asneiras que tem feito e deixado fazer, mas também mais exigente no que toca às medidas que os poderes públicos (e sobretudo privados!) têm vindo a tentar implementar sorrateiramente sob a capa de uma boa acção. O fiasco da presença abortada de Al Gore na Cimeira de Copenhaga é simultaneamente um aviso e uma oportunidade para discutirmos com mais seriedade e precisão a inadiável estratégia de mitigação dos efeitos nefastos do actual paradigma energético e de desenvolvimento e de descoberta e implementação de uma nova filosofia de vida para os humanos, que obviamente recupere a noção panteísta da indivisibilidade da Natureza!

REFERÊNCIAS

  1. Ler também o Guião anotado do filme (PDF) de Annie Leonard, The Story of CAP & TRADE
  2. “Curry: On the credibility of climate research”, by Steve McIntyre on November 22nd, 2009 (Climateaudit)
  3. “‘It’s Not the Kind of Thing Where You Can Compromise’ – Climate scientist James Hansen talks about global warming, Copenhagen, and his new book.” (Newsweek)
  4. “Climate Gate. Estes são os emails que incendiaram Copenhaga” (i)
  5. Durban Group for Climate Justice
  6. Tina Seeley, “U.S. Fossil-Fuel Subsidies Twice That of Renewables” (Update2) ,
    Sept. 18 (Bloomberg) — “Fossil fuels including oil, natural gas and coal received more than twice the level of subsidies that renewable energy sources got from the U.S. government in fiscal 2002 through 2008, the Environmental Law Institute said.”
  7. ‘Enron’s Other Secret’ : “The climate-change industry — the scientists, lawyers, consultants, lobbyists and, most importantly, the multinationals that work behind the scenes to cash in on the riches at stake — has emerged as the world’s largest industry. Virtually every resident in the developed world feels the bite of this industry, often unknowingly, through the hidden surcharges on their food bills, their gas and electricity rates, their gasoline purchases, their automobiles, their garbage collection, their insurance, their computers purchases, their hotels, their purchases of just about every good and service, in fact, and finally, their taxes to governments at all levels.”
  8. ‘How soon do we need to cut greenhouse gas emissions?,’ Grist, January 25 2009.
  9. Gar Lipow, “Cap-and-trade: filling up the political space that should be used for real solutions,” Grist, May 31, 2009

Estratégia “UE 2020”

Dubai em chamas

Dubai em “chamas”.

O Tratado de Lisboa tem hoje, dia 1 de Dezembro, na capital portuguesa, a sua aprovação final e definitiva.

Foi um processo atribulado e com resultados muito mitigados, cuja solidez será decisivamente testada ao longo da presente recessão mundial. Há quem diga que o lançamento há dias da Estratégia “UE 2020”, uma iniciativa correctiva de Durão Barroso, é já o resultado das insuficiências ideológicas congénitas do Tratado de Lisboa. É caso para dizer que a situação actual não se resolve com social-porreirismos!

As tendências proteccionistas vão-se desenvolvendo candidamente, por entre juras de fidelidade ao “Laissez Faire, Laissez Passer!” que o neoliberalismo de casino fez explodir naquela que poderá ser a maior bolha especulativa de sempre.  A nova Pirâmide de Ponzi, apenas muito maior e mais sofisticada do que o velho estratagema da Dona Branca, foi baptizada com o pomposo nome Credit Default Swap (CDS). Este instrumento é uma “engenharia financeira criativa” (para não dizer, especulativa e  fraudulenta) inventada pela Goldman Sachs, em 1997, para supostamente dar protecção aos empréstimos realizados com dinheiro de investidores, nomeadamente institucionais e sociais (Fundos Soberanos e Fundos de Pensões, entre outros). O Mercado de Derivados foi o mar onde toda esta falsa actividade financeira prosperou, levando à falência, em primeiro lugar, das actividades económicas produtivas, com particular  destaque para o sector industrial norte-americano e europeu (obrigado a emigrar para o Oriente sob a formidável pressão da lógica neoliberal da Globalização); e em segundo, do sector regulamentado do sistema financeiro: bancos, seguradoras, boa parte dos fundos de investimento e da poupança privada. Apenas dois meta-bancos (JP Morgan e Goldman Sachs), a economia chinesa e alguns paraísos fiscais parecem estar —para já— a salvo do insondável buraco negro em que se transformou o Mercado de Derivados e os seus letais CDS!

Tudo isto era previsível e foi previsto a tempo e horas. Sucede, porém, que a conspiração para ocultar a realidade foi mais forte, e só quando o colapso em dominó começou a rolar é que os economistas da praxe acordaram. O principal problema do actual modelo económico mundial é o inevitável declínio do paradigma energético em que assentou a modernidade e o progresso industriais. Tudo decorre, de uma forma ou doutra, do Pico Petrolífero, anunciado por M. King Hubbert em 1956. O próprio relatório sobre os Limites do Crescimento, produzido em 1972 para o Clube de Roma, correlaciona o súbito declínio populacional da humanidade, por volta de 2020-2050, como uma variável do abuso sistémico dos equilíbrios naturais do planeta e da exaustão de uma infinidade de recursos estratégicos, sem os quais a vida humana se verá dificultada em extremo (falta de água potável, destruição dos rios, erosão dos solos orgânicos, contaminação química e biológica das cadeias alimentares, poluição do ar, desflorestação de grandes áreas do planeta, etc.)

Os Estados Unidos e a Europa reagiram a estas previsões de forma meramente reactiva. Trataram, assim, de se aproximarem ainda mais das fontes energéticas e de matérias primas disponíveis, recorrendo para tal à chantagem económico-financeira, à pressão diplomática e ao conflito militar não provocado sobre os países produtores de energia e matérias-primas essenciais (Iraque, Irão, Nigéria, Angola, Chile, Argentina, Brasil, Vietname, etc.)

Por outro lado, trataram de exportar lentamente as suas indústrias para os países onde o trabalho era substancialmente mais barato, desprotegido e livre de imposições ambientais, gerando por esta via, desde meados da década de 1970, uma tendência estrutural para a falta de empregos produtivos nos países ricos e até industrializados da América e da Europa. O preço desta loucura foi o desenvolvimento de uma espiral de endividamento público e privado sem precedentes, quer na Europa, quer sobretudo nos Estados Unidos.

O crescimento nestas partes outrora prósperas do planeta passou a ser medido, cada vez mais, com base nos índices de investimento e de… consumo! Esqueceram-se os economistas de alertar as populações sobre o perigo desta falsificação estatística grosseira. Investimento e consumo são despesas que como tal têm que ser financiadas. Se não houver produção, ou esta começar a decair de forma estrutural, haverá menos exportações e mais importações, ou seja, uma erosão progressiva da poupança que houver nos bolsos dos cidadãos, das empresas e dos estados. Nenhuma economia interna, por maior que seja (como se está agora a verificar no colapso gravíssimo dos EUA), pode resistir por muito tempo a um desequilíbrio da sua balança de transacções comerciais e financeiras com o os países de que depende para comprar e vender. Aquilo a que hoje assistimos incrédulos é, pura e simplesmente, a explosão em cadeia da maior bolha de endividamento que alguma vez se formou na economia mundial.

O assunto não poderia ser mais sério e grave.

Daí que valha a pena olhar com atenção para a mais recente tentativa de corrigir um Tratado de Lisboa mesmo antes de este entrar em vigor! A nossa participação no debate público europeu suscitado pela Estratégia “UE 2020”, que ante-sucede precocemente ao próprio Tratado de Lisboa que hoje é finalmente consagrado, será sempre importante, e sobretudo deverá dar início a um verdadeiro movimento de cidadania crítica europeia de base, sem a qual o próprio sonho comunitário se poderá em breve transformar num pesadelo.

Comissão Europeia lança consulta pública. Data limite: 2010-01-15 (Link)

Nova estratégia para transformar a UE num mercado social mais inteligente e mais verde.

A Comissão Europeia lança uma consulta sobre a estratégia para a “UE 2020”.

Tendo como base um documento de trabalho, a Comissão Europeia quer saber a sua opinião sobre o modo como a União Europeia deve reagir e trabalhar para a consolidação da retoma após a crise.

Objectivo

Esta consulta permitirá a todos os interessados manifestarem a sua opinião sobre os três principais pontos do documento da Comissão Europeia, a saber:

  • Criar valor baseando o crescimento no conhecimento
    — A educação na Europa deve ser melhorada, do pré-escolar ao ensino superior, para aumentar a produtividade, apoiar os grupos vulneráveis e combater as desigualdades e a pobreza
  • Capacitar as pessoas em sociedades inclusivas
    — A crise veio alterar as “regras do jogo”. Muitos postos de trabalho que existiam antes da crise foram destruídos e não voltarão a ser criados
  • Criar uma economia competitiva, interligada e mais verde
    — No futuro assistiremos a preços da energia elevados, a restrições em matéria de emissões de carbono e a uma maior concorrência em relação aos recursos e aos mercados

—António Cerveira Pinto

Sol, mar e vento!

Parque Solar em Sanlucar la Mayor, Sevilha, Espanha
Parque Solar em Sanlúcar la Mayor, Sevilha, Espanha

A população mundial cresce ao bonito ritmo de 1% ao ano. Isto quer dizer, que hoje somos cerca de 6,7 mil milhões de criaturas, e em 2050, se não ocorrer nenhuma catástrofe de proporções bíblicas, seremos 9 191 287 000 de almas penadas. Outro dado curioso é o do nosso consumo energético, o qual tem vindo a crescer 2% ao ano. Consumimos hoje o equivalente a um motor com uma potência de 15 TWatt (1), mas se nada mudasse na actual inércia dos negócios, o motor energético de 2050 teria que ter uma potência de 30-35 TWatt. A boa notícia, dada há dias pelo Nobel da Física, Carlo Rubbia (2), é que bastaria um quadrado de areia no deserto do Saara, com 200×200 Km, para satisfazer tão descomunal necessidade energética. A má notícia é que poucos acreditam na possibilidade de reconverter a actual dependência das energias fosseis e não renováveis (petróleo, carvão, gás natural e nuclear), que era em 2005 da ordem dos 86%, para valores capazes de travar os efeitos nefastos das emissões antropogénicas de CO2 para a atmosfera.

Segundo Rubbia, a predominância dos fósseis na produção de energia deverá prosseguir, traduzindo-se num agravamento nas emissões com efeito de estufa, na estabilização da energia nuclear e num pequeno incremento das energias renováveis. Em 2004 era esta a distribuição das diversas origens da energia produzida pelos humanos:

Energias não renováveis: 86,8%

  • Petróleo: 34,3%
  • Gás natural: 20,9%
  • Carvão: 25,1%
  • Nuclear: 6,5%

Energias Renováveis: 13,1%

  • Combustíveis e resíduos renováveis (biomassa, cana de açúcar, etc.): 10.6%
  • Hidroeléctricas: 2,2%
  • Outras
    • Geotérmica: 0,414%
    • Eólica: 0,064%
    • Solar: 0,039%
    • Ondas: 0,0004%

Estes números dão uma ideia do caminho a percorrer, da dimensão dos obstáculos e sobretudo da inércia que será necessário vencer para corrigir a situação actual. Quando os governos europeus falam das suas ambiciosas metas ecológicas — chegar aos 20% de energias obtidas de fontes primárias renováveis (vento, água, sol e biomassa), até 2020 — é bom percebermos todos que se trata de uma transferência de apenas 6,9% em 12 anos, quando a taxa de crescimento anual do consumo à escala planetária é de 2%. Algo me diz que estamos em presença de uma vontade política desgraçadamente ridícula face ao desafio que a humanidade tem pela frente.


Pico carbónico, sim ou não?

Embora o petróleo líquido e o gás natural devam atingir o pico produtivo mundial no intervalo compreendido entre 2008 e 2018 (3), as reservas de carvão (5000 a 20.000 GTon), de óleos extra-pesados (tar sands) e de xistos oleosos (oil shale) seriam, segundo Carlo Rubbia, mais do que suficientes para alimentar o consumo energético mundial, à actual taxa de crescimento, por várias centenas de anos!

Na verdade, não é bem assim. Para que tal fosse viável, seria necessário que o ENROI (Energy Net Return on Energy Invested) da produção das variantes pesadas da energia fóssil (oriundas do petróleo de profundidade ou situado em zonas geladas, das areias betuminosas e dos xistos oleosos) não tornasse os necessários investimentos gigantescos que estão em causa em tais operações, muito arriscados e de rentabilidade duvidosa (como as contas até agora feitas demonstram ser). Por outro lado, mesmo conseguindo optimizar o ENROI, existem as maiores dúvidas sobre quem poderia pagar o preço final dos combustíveis e produtos derivados de hidrocarbonetos tão caros.

Os efeitos das emissões de CO2 duram quanto tempo?

Carlo Rubbia, dando de barato que há suficiente energia fóssil, e suficiente ciência e tecnologia para aproveitá-la (um mito comum e bem moderno), chama no entanto a atenção para um facto ainda mal percebido pelos poderes de decisão e longe da consciência social dominante. O facto é este: a produção antropogénica de CO2 terá efeitos sobre o clima da Terra durante centenas de milhar de anos!

A sobrevivência do plutónio é da ordem dos 25 mil anos. Mas a sobrevivência média do CO2 é de 30-35 mil anos. 1 a 33% das partículas emitidas agora perderão a sua actividade daqui a mil anos; 10 a 15% só daqui a 10 mil anos; e 7% das mesmas levarão 100 mil anos a “morrer”!

O degelo da calota polar e da Gronelândia, muito mais rápido do que o previsto, deriva em boa parte dos efeitos nefastos dos milhões de toneladas de CO2 lançados diariamente na atmosfera pela acção humana. O risco de o nível do mar subir entre 7 e 15 metros nalgumas zonas costeiras é cada vez mais plausível. A concretizar-se, por exemplo, na região chinesa do delta do rio YangtzeXangai, Hangzhou, Nanjing –, onde vivem mais de 90 milhões pessoas, haverá uma catástrofe de proporções inimagináveis.

A redução até 2050 de metade das actuais emissões de CO2, proposta pela União Europeia, numa conjuntura habituada ao crescimento contínuo da produção e do consumo energético, vai ser um desafio tremendo, para o qual as actuais democracias populistas, muito corrompidas pela promiscuidade que mantêm com os sectores económicos-financeiros, invariavelmente atrelados a metas de rentabilidade e lucro fácil a curto prazo, não se encontram preparadas.

Passar de 6,5 GTon de emissões de CO2 provenientes do uso de energias fósseis (80% de toda a energia produzida/consumida pelos humanos), para 3,2 GtonC, quando os cenários da economia convencional continuam a apontar para um patamar de emissões, em 2050, de 15 GtonC, revela bem a dimensão trágica da verdadeira revolução energética que terá que ser realizada se quisermos sobreviver.

Blue Men Group Tackles Global Warming

O Sol é tudo. Mas teremos tempo para inverter o actual curso suicida?

Segundo Carlo Rubbia, 15 TWatt de energia primária fornecida pelo Sol (equivalente ao actual consumo energético mundial) é a energia recebida por apenas 0,13% dos desertos solares do planeta, qualquer coisa como um quadrado com 200×200 Km2 no Saara! Onde está então a dificuldade energética, pergunta o físico nuclear do CERN e prémio Nobel?!

O problema científico e tecnológico resume-se, na sua opinião, a privilegiar a energia solar termoeléctrica, baseada em sistemas altamente eficientes de concentração da energia solar (Concentrating Solar Power – CSP), acoplados a receptores térmicos (sal, óleo, etc.) que acumulam calor a altas temperaturas, na ordem dos 450-650 ºC. Este calor serve, ou para acionar motores térmicos (do tipo Stirling e Brayton), ou para ferver água a alta pressão em geradores de vapor, que farão rodar as turbinas electromagnéticas.

Entre as tecnologias CSP actualmente em operação (a tecnologia solar mais barata), contam-se as Torres de Energia Solar, os Discos Solares e os Reflectores cilíndricos parabólicos. Outra tecnologia solar disponível (sobretudo para pequenas instalações, ou localizadas longe das redes de distribuição eléctrica) é a dos painéis foto-voltaicos, que convertem directamente a energia solar em energia eléctrica, embora com custos superiores e menor rendimento do que a tecnologia CSP. Para uma síntese sobre este tema, ler o artigo da Wikipedia.

O governo português está disposto a financiar a Rede Eléctrica Nacional para que esta compre electricidade produzida por particulares em regime de microgeração, a 65 cêntimos por kilowatt hora (kWh), um valor seis vezes superior aos 10,8 cêntimos que actualmente pagamos em casa. Este preço, para além dos incentivos fiscais e financeiros na aquisição dos equipamentos e instalação dos micro-geradores eólicos, foto-voltaicos e solares térmicos, destinam-se a distribuir o esforço de investimento na reconversão do paradigma energético. Mas pode igualmente comportar uma intenção indesejável: a de assegurar o controlo monopolista da distribuição da energia, impedindo, pela via legislativa, que a produção de energia solar barata possa vir a converter-se numa fonte de rendimento melhor distribuída, por exemplo, pelas comunidades locais e municípios. Vale pois a pena estudar em pormenor o problema das redes de distribuição, reivindicando, não apenas o direito à micro-geração, mas também o direito à criação de redes privadas, comunitárias, e municipais de distribuição eléctrica, sob supervisão das entidades responsáveis pela eficiência e segurança dos sistemas e redes elétricas.

Prevê-se que a produção de energia solar termoeléctrica (CSP) baixe progressivamente de preço ao longo das próximas duas décadas, devendo custar cerca de 2 cêntimos por kWh em 2020. Isto é, 1/5 da actual factura energética doméstica! Se pensarmos que por essa altura já parte significativa dos meios de transporte individual usará mais energia eléctrica do que combustíveis fósseis, adivinha-se as proporções gigantescas da revolução energética em curso. Para além do direito à micro-geração individual, familiar e comunitária de energias sustentáveis, o grande desafio colocar-se-à brevemente no terreno da eliminação dos actuais monopólios e oligopólios de distribuição, e em geral na des-concentração democrática das redes eléctricas.

A Espanha tem já uma Plataforma Solar comercial a funcionar em Sanlúcar la Mayor, Sevilha (ver vídeo noticioso), cinco centrais a iniciar até 2010 e mais 13 em fase de planeamento, num total de 19 centrais solares baseadas predominantemente na tecnologia termoeléctrica (CSP), com uma capacidade a instalar de 1,5 GW.

Barragens para quê?

A pergunta que fazemos é simples: qual o impacto real das 10 barragens hidroeléctricas cuja construção o governo intempestivo de José Sócrates, e do seu caricato ministro da Economia, apresentou como decisão inabalável? Não poderíamos ter melhores resultados seguindo o caminho avisado da Espanha? Ao contrário dos parques solares, as barragens produzem gases com efeito de estufa, atacam a biodiversidade, fragilizam os estuários dos rios, arrasam paisagens únicas, expropriam os pequenos a favor de oligopólios, destroem actividades económicas pré-existentes, deslocam comunidades humanas, comprometem actividades económicas de longa duração (como o turismo bem planeado). Por outro lado, o emprego que geram é meramente pontual e dura apenas o tempo das obras de construção. A única vantagem que parece subsistir é a da retenção de água doce e a sua potencial contribuição para a mitigação dos períodos de seca. Mas a que preço? E para que fins, realmente? Aliás, no caso das previstas pequenas barragens anunciadas repetidamente por José Sócrates, tratando-se de afluentes de rios maiores, eles próprios já regularizados por barragens, até este argumento residual redunda em manifesta falácia! Sobra, talvez, uma única justificação para a teimosia política: a velha confraria do betão que formatou ao longo destes últimos 30 anos o exercício da política à portuguesa!

Não é de barragens que precisamos para dar negócio aos empreiteiros e trabalho ao país. Mas sim de outro tipo de obras com efeitos multiplicadores muito mais amplos e duradouros. Como por exemplo, a reformulação audaciosa da rede ferroviária nacional e a sua interligação à rede espanhola, nomeadamente nos segmentos da Alta Velocidade e Velocidade Elevada. Como por exemplo, o lançamento de uma Nova Reforma Agrária nacional visando transformar Portugal num importante produtor especializados de bens agrícolas com elevado Valor Ecológico Acrescentado. Como por exemplo, a reconversão da maioria das nossas cidades em eco-cidades. Como por exemplo, a defesa e promoção da biodiversidade do território. Como por exemplo, a promoção de uma nova economia do mar.

Post-scriptum — (26-02-2008) Recebi entretanto duas referências que merecem ser aprofundadas, para complemento do quadro traçado neste artigo:

  1. por um lado, a importância que ultimamente tem vindo a ser dada ao petróleo do Árctico, cujo acesso seria uma consequência do derretimento de extensas áreas daquela zona polar!
  2. outra, é a relevância dada num relatório europeu recente ao hidrogéneo, bem como o projecto da primeira instalação industrial de produção de electricidade a partir de hidrogéneo no Abu Dhabi.

    La recherche européenne démontre que l’hydrogène pourrait permettre de réduire la consommation de pétrole dans les transports routiers de 40% d’ici à 2050.

    Bruxelles, 25 février 2008.
    Un projet scientifique financé par le programme de recherche de l’UE a conclu que l’introduction de l’hydrogène dans le système énergétique réduirait la consommation totale de pétrole des transports routiers de 40% d’ici 2050. En prenant la tête du marché mondial des technologies de l’hydrogène, l’Europe peut ouvrir de nouveaux débouchés et renforcer sa compétitivité. Mais l’analyse indique également que la transition ne se fera pas automatiquement. Des obstacles importants doivent d’abord être surmontés, tant du point de vue économique et technologique qu’institutionnel, et il faut agir dès que possible. Le projet HyWays associe des entreprises, des instituts de recherche et des agences gouvernementales de dix pays européens. À l’issue d’une série de plus de 50 ateliers, le projet a abouti à une feuille de route pour l’analyse des incidences potentielles, sur l’économie, la société et l’environnement de l’UE, du recours à grande échelle à l’hydrogène, sur le court et le long terme, assortie d’un plan d’action indiquant les modalités à suivre pour concrétiser ce programme. Le rapport est publié au moment où les États membres doivent approuver un nouveau partenariat de recherche entre secteurs public et privé, d’un montant de 940 millions d’euros, pour le développement de la filière hydrogène et des piles à combustible. — in Press Releases Rapid.


NOTAS

  1. Um Tera Watt é o mesmo que um bilião de Watt, ou um milhão de milhões de Watt (também representado assim: 10E12Watt ou 10^12 Watt).
  2. Carlo Rubbia, “The great Energy transformation – QM 2008 Inaugural Session”, 2008 (PDF).
  3. Giant Oil Fields – The Highway to Oil: Giant Oil Fields and their Importance for Future Oil Production. Fredrik Robelius. 30-03-2007. (PDF)

OAM 323 25-02-2008, 03:06

Peak Everything

Richard Heinberg

by Richard Heinberg

During the past few years the phrase Peak Oil has entered the global lexicon. It refers to the moment in time when the world will achieve its maximum possible rate of oil extraction; from then on, for reasons having mostly to do with geology, the amount of petroleum available to society on a daily or yearly basis will begin to dwindle. Most informed analysts agree that this will happen during the next two or three decades; an increasing number believe that it is happening now – that conventional oil production peaked in 2005–2006 and that the flow to market of all hydrocarbon liquids taken together will start to diminish around 2010. The consequences, as they begin to accumulate, are likely to be severe: the world is overwhelmingly dependent on oil for transportation, agriculture, plastics, and chemicals; thus a lengthy process of adjustment will be required. According to one recent U.S. government-sponsored study, if the peak does occur soon replacements are unlikely to appear quickly enough and in sufficient quantity to avert what it calls “unprecedented” social, political, and economic impacts.

This book is not an introduction to the subject of Peak Oil; several existing volumes serve that function (including my own The Party’s Over: Oil, War and the Fate of Industrial Societies). Instead it addresses the social and historical context in which the event is occurring, and explores how we can reorganize our thinking and action in several critical areas in order to better navigate this perilous time.

Our socio-historical context takes some time and perspective to appreciate. Upon first encountering Peak Oil, most people tend to assume it is merely a single isolated problem to which there is a simple solution – whether of an eco-friendly nature (more renewable energy) or otherwise (more coal). But prolonged reflection and study tend to eat away at the viability of such “solutions”; meanwhile, as one contemplates how we humans have so quickly become so deeply dependent on the cheap, concentrated energy of oil and other fossil fuels, it is difficult to avoid the conclusion that we have caught ourselves on the horns of the Universal Ecological Dilemma, consisting of the interlinked elements of population pressure, resource depletion, and habitat destruction – and on a scale unprecedented in history.

Petroleum is not the only important resource quickly depleting. Readers already acquainted with the Peak Oil literature know that regional production peaks for natural gas have already occurred, and that, over the short term, the economic consequences of gas shortages are likely to be even worse for Europeans and North Americans than those for oil. And while coal is often referred to as being an abundant fossil fuel, with reserves capable of supplying the world at current rates of usage for two hundred years into the future, a recent study updating global reserves and production forecasts concludes that global coal production will peak and begin to decline in ten to twenty years. Because fossil fuels supply about 85 percent of the world’s total energy, peaks in these fuels virtually ensure that the world’s energy supply will begin to shrink within a few years regardless of any efforts that are made to develop other energy sources.

in MuseLetter #185 / September 2007
by Richard Heinberg

Bom dia escravos!

A Grécia arde e as inundações deste Verão deixam pesadas facturas à China, ao Reino Unido, à Coreia do Norte e ao Minnesota. Em Portugal, safou-nos de pior desgraça a chuva inesperada que tem caído e as súbitas quedas de temperatura. Mas o tempo de nos pormos a par do que está para vir chegou. Aqui ficam algumas referências para depois das férias.

  • Peak Soil
    There are many serious problems with biofuels, especially on a massive scale, and it appears from this report that they cannot be surmounted. So let the truth of Alice Friedemann’s meticulous and incisive diligence wash over you and rid you of any confusion or false hopes. The absurdity and destructiveness of large scale biofuels are a chance for people to eventually even reject the internal combustion engine and energy waste in general. One can also hazard from this report that bioplastics, as well, cannot make it in a big way.Ethanol is an agribusiness get-rich-quick scheme that will bankrupt our topsoil.Nineteenth century western farmers converted their corn into whiskey to make a profit (Rorabaugh 1979). Archer Daniels Midland, a large grain processor, came up with the same scheme in the 20th century. But ethanol was a product in search of a market, so ADM spent three decades relentlessly lobbying for ethanol to be used in gasoline. Today ADM makes record profits from ethanol sales and government subsidies (Barrionuevo 2006).

    The Department of Energy hopes to have biomass supply 5% of the nation’s power, 20% of transportation fuels, and 25% of chemicals by 2030. These combined goals are 30% of the current petroleum consumption (DOE Biomass Plan, DOE Feedstock Roadmap).

    Fuels made from biomass are a lot like the nuclear powered airplanes the Air Force tried to build from 1946 to 1961, for billions of dollars. They never got off the ground. The idea was interesting — atomic jets could fly for months without refueling. But the lead shielding to protect the crew and several months of food and water was too heavy for the plane to take off. The weight problem, the ease of shooting this behemoth down, and the consequences of a crash landing were so obvious, it’s amazing the project was ever funded, let alone kept going for 15 years.

    Biomass fuels have equally obvious and predictable reasons for failure. Odum says that time explains why renewable energy provides such low energy yields compared to non-renewable fossil fuels. The more work left to nature, the higher the energy yield, but the longer the time required. Although coal and oil took millions of years to form into dense, concentrated solar power, all we had to do was extract and transport them (Odum 1996)

    With every step required to transform a fuel into energy, there is less and less energy yield. For example, to make ethanol from corn grain, which is how all U.S. ethanol is made now, corn is first grown to develop hybrid seeds, which next season are planted, harvested, delivered, stored, and preprocessed to remove dirt. Dry-mill ethanol is milled, liquefied, heated, saccharified, fermented, evaporated, centrifuged, distilled, scrubbed, dried, stored, and transported to customers (McAloon 2000). Fertile soil will be destroyed if crops and other “wastes” are removed to make cellulosic ethanol. “We stand, in most places on earth, only six inches from desolation, for that is the thickness of the topsoil layer upon which the entire life of the planet depends” (Sampson 1981). Loss of topsoil has been a major factor in the fall of civilizations (Sundquist 2005 Chapter 3, Lowdermilk 1953, Perlin 1991, Ponting 1993). You end up with a country like Iraq, formerly Mesopotamia, where 75% of the farm land became a salty desert. Fuels from biomass are not sustainable, are ecologically destructive, have a net energy loss, and there isn’t enough biomass in America to make significant amounts of energy because essential inputs like water, land, fossil fuels, and phosphate ores are limited.

  • Post Carbon Cities Guide Book
    “Post Carbon Cities is an exceptionally clear and comprehensive call-to-action to those who actually work in the trenches of city governance. We don’t have any more time to waste getting ready for an energy-scarcer future, and for those who remain dazed and confused, this book is an excellent place to start.” —-James Howard Kunstler, author of The Long Emergency and The Geography of Nowhere.
  • Singing the nation electric, By Jon Rynn
    • Part 1: Fuels and Electrical Use
      Let’s assume that we will eventually live in a world without fossil fuels, that is, without petroleum, coal, or natural gas. Will we all starve to death or devolve into roving bands of barbarians? If business as usual continues indefinitely, those outcomes are definitely possible, but let us further assume that reason will prevail and we all agree to restructure society so that it could get along without fossil fuels. What would we need to do?
    • Part 2: post-oil democracy
      Before fossil fuels and industrial machinery transformed the way goods and services were produced, all societies had an energy problem. Some wind power and hydropower was used, but the main energy sources were humans and animals. For the powers-that-were, slavery and serfdom were convenient ways to ensure an adequate supply of human-sourced energy. What will happen when fossil fuels are no longer available; will the global elite be in a position to reimpose serfdom and slavery?

A Carta de Leipzig

A Carta de Leipzig e o renascimento das cidades europeias

Na altura em que Lisboa se envolve numa eleição municipal particularmente crítica, fruto da profunda desagregação a que chegou a sua instituição autárquica, a presidência alemã da União Europeia não poderia ter-nos oferecido melhor presente: a Carta de Leipzig. Este documento e os documentos conexos, além de representarem uma das mais importantes contribuições desta locomotiva económica e intelectual europeia nos seis meses em que esteve na liderança da União, introduz um importantíssimo quadro de referências para a necessária e urgente discussão exigida pelo povo de Lisboa na hora em que pondera e decidirá proximamente como será o quadro de governabilidade da capital do país para os próximos 2 a 6 anos.

Seria bom para a cidade e para o país que estas eleições fossem verdadeiramente um ponto de viragem na atitude da cidadania portuguesa. Os lisboetas e os cidadãos de todo o país podem e devem, apesar do pessimismo geral e das demonstrações de imbecilidade partidocrata dominantes, dar uma prova de que a cidadania democrática não só está viva, como decidiu fazer ouvir a sua voz, recusando, de ora em diante, passar cheques em branco à leviandade, à mentira, à irresponsabilidade, venham de onde vierem.

O futuro depende nós, e não “deles”.

PS: é urgente obter uma tradução oficial da “Leipzig Charter”!

António Maria

_____________________

Comunicado da Presidência Alemã da União Europeia

24.05.2007.

At their informal EU meeting today, European building ministers signed the “Leipzig Charter”. The Charter will strengthen inner cities. Speaking in Leipzig today, the German EU Council President, Wolfgang Tiefensee, stated:”Living in cities is becoming increasingly popular. This is a positive development, and one that we have to boost. Families are returning from the urban fringe and rural hinterland to the inner cities. Urbanity is becoming a hallmark of quality. Industrial sites are being put to new uses. Living and working on what used to be derelict industrial sites is becoming attractive. In short: Europe’s cities are currently experiencing a renaissance, and policymakers have to shape this renaissance. It will usher in a new phase of urban development. The cities of Europe face major challenges.”With the “Leipzig Charter on Sustainable European Cities”, the 27 ministers responsible for urban development in the EU Member States have, for the first time, agreed on common principles and strategies for urban development policy. “We want to create a foundation for a new urban policy in Europe. That is why we need a model of integrated urban development. It has to take public participation in urban planning into account and improve the coordination of public and private sector investment for and in cities”, said Mr Tiefensee. The Council President went on to say: “We have to strengthen inner cities, in particular. In Europe, cities are the engines of social and economic development. That is why, in the future, urban development will have to play a more important role in European policies. Urban development policy not only determines whether people can live in a good social environment. It also enables people to experience European integration at first hand.”

He said that the Leipzig Charter would create the foundations for a new urban policy in Europe and reformulate the idea of the European city. “Over 60 percent of the European population live in urban areas with more than 50,000 inhabitants. The EU Member States have to act now if they are to be able to tackle the impact of demographic change, climate change and global economic structural change. We have to join forces to do something about onesidedness and monotony in urban development. The era of individually optimized residential and business areas, oversized shopping centres and large traffic spaces is over. There must be a greater mixture of areas for living, working and leisure in cities. This can make cities more exciting, vibrant and socially stable”, said Mr Tiefensee.

The Minister said that one of the challenges faced by European cities was youth unemployment. “With an unemployment rate among young people under 25 years of age of 18.6 %, cities have to compensate for enormous fluctuations. Here, urban development policy also has to offer solutions.” The Minister said that it was imperative to tackle social exclusion and isolation in individual neighbourhoods. “Longterm and stable economic growth will not be possible unless whole cities remain socially balanced and stable”, said Mr Tiefensee. Policymakers must not tolerate downward spirals and the stigmatization of individual neighbourhoods. “In particular, we have to devote even more attention to the educational requirements of children and young people in these urban areas. If over one half of young people in these deprived neighbourhoods leave school without any qualifications, there are bound to be problems in the future. Europe has to involve everyone”, said the Council President. — in Germany 2007 – Presidency of the European Union

Documentos:

* Conclusions of the German EU Council Presidency on the Informal Ministerial Meeting on Urban Development and Territorial Cohesion, Leipzig, 24-25 May 2007. (PDF)

* Renaissance der Stadte (What are the aims of the Leipzig Charter?) 24-25 May 2007 (PDF)

* Renascimento das Cidades (Quais são os objectivos da Carta de Leipzig?) 24-25 Maio 2007 (PDF)

* Leipzig Charter on Sustainable European Cities, 24 May 2007 (PDF)

* Green Paper on Urban Transport. Mai 2007. (PDF)

* Financing of Urban Renewal and Development, 2007-2013. May 2006. (PDF)

* Supporting Projects in European Regions (JASPERS), 2007-2013. May 2006. (PDF)

* Regions for Economic Change, 2007-2013. Oct. 2006. (PDF)

* Territorial Agenda of the European Union. Jun 2006. (LINK)

* National Urban Policies in the European Union, Aug. 2004. (PDF)

* European observation network on territorial development and cohesion (ESPON 2007-2013 Programme). Jan 2007. (PDF)

* “Baukultur” comme branle de croissance. Bons exemples pour les villes europeénnes. Études de cas choisis. Avril 2007. (PDF)

Les huit facteurs qui sont intéressants pour créer des résultats positifs pour les villes:

1 – Caractère local
2 – Accessibilité
3 – Densité
4 – Usages mixtes
5 – Adaptabilité
6 – Sphere publique de haute qualité
7 – Prise de décisions intégrée
8 – Participation de usagers

* Working together for growth and jobs. A new start for the Lisbon Strategy (2005) (PDF)

Referências:

## Territorial Agenda of the EU

An Informal Ministerial conference will be held in Leipzig on 24 and 25 May 2007 within the framework of the German EU (European Union) Presidency. On the occasion of this conference, ministers responsible for Spatial Development in EU Member States will adopt the so-called “Territorial Agenda of the EU”.

Agreeing upon this Agenda constitutes the preliminary culmination of a process which was launched on the occasion of the Informal Ministerial conference in Rotterdam in 2004 and was continued via the one in Luxembourg in 2005.

Aim

The Territorial Agenda of the EU, as a short policy paper and its recommendations for an integrated spatial development policy aims at mobilising the potentials of European regions and cities for sustainable economic growth and more jobs. Europe’s competitiveness in the world will additionally be strengthened by utilising its territorial diversity in a better and more innovative way. Europe will be brought closer to its citizens and their scepticism will be overcome.

The recommendations delivered by the Territorial Agenda of the EU are based on an analysis embodied in the expert report document “Territorial State and Perspectives of the EU”. (LINK)

## Green Paper on Urban Transport

The Green Paper will form the basis for the development of a European policy on urban transport as part of European transport policy. The Green Paper will address all transport modes, including walking, cycling, motor cycles and motor vehicles, and will cover both urban freight (and logistics) and passenger transport. (LINK)

## Lisbon and Gothenburg Strategies (ALSO)

“INTERREG IVC” programming under way…

Next year the INTERREG IIIC successor programme “INTERREG IVC” (programme title to be decided) will be launched. The new programme will run from 2007 till 2013. The current model consisting of four programme zones will be replaced with one Europe-wide programme with a single management structure. “INTERREG IVC” will have a clear focus on regional development policies in the areas of innovation, knowledge economy, environment and risk prevention. Different types of interregional cooperation projects and networks will be funded.

ALSO aims at estabilishing an operative link between the concrete territorial projects funded within the INTERREG programme and the Lisbon and Gothenburg Strategy. (LINK)

## Creative Europe – the power of culture in European cities – Hamburg, 31 May – 1 June 2007

Introduction

Creative Europe – the power of culture in European cities focuses on the ways in which culture and creativity interact, becoming a catalyst for urban prosperity and social development. The conference is organised by the German Federal Government Commissioner for Culture and the Media in cooperation with the Free and Hanseatic City of Hamburg.

Description

In the context of global structure change, we have to think about new and imaginative ways and have to consider centres for creative service-orientated industries to strengthen the competitive position and innovative potential of cities and large population centres. More and more, the attraction of creative, highly specialised, mobile inhabitants is profitable and enriches economy, culture and urban planning. This congress will examine the extent to which culture, as well as the artists and those who work in the field, contribute to a city’s innovation, development and economic prosperity.

A series of presentations, debates and four future-oriented panel discussions will examine the perspectives on social and economic changes that result from the clashes between technologically innovative regions, pioneering cultural and architectural projects, and the creative people behind them. In addition, representatives from major European cultural metropolis will introduce their cities at the congress, and give more direct insights into the topic. (LINK)

## European Urban Knowledge Network (EUKN)

The European Urban Knowledge Network (EUKN) shares knowledge and experience on tackling urban issues. Fifteen EU Member States, EUROCITIES, the URBACT Programme and the European Commission participate in this European initiative.

On this website, you find all available information on the EUKN partners’ urban policy initiatives. You can scroll through the e-library, or enter your query in the search box below. (LINK)

##JESSICA

JESSICA, Joint European Support for Sustainable Investment in City Areas, is an initiative of the Commission in cooperation with the European Investment Bank (EIB) and the Council of Europe Development Bank (CEB), in order to promote sustainable investment, and growth and jobs, in Europe’s urban areas. (LINK)

##JASPERS

JASPERS, ‘Joint Assistance in Supporting Projects in European Regions’, seeks to develop this cooperation in order to pool expertise and resources and to organise them in a more systematic way to assist Member States in the implementation of cohesion policy. The aim of JASPERS is to offer a service to the Member States, targeting regions covered by the new Convergence Objective for the period 2007-2013. The service will help the authorities in the preparation of major projects for submission to the Commission. In this way, the service will help to improve the quantity, quality and rapidity of projects coming forward for approval, for the benefit not only of the Member States and regions directly concerned but also for growth and convergence in the Union as a whole. (LINK)

## URBACT

The work of URBACT is primarily focused on cities and their neighbourhoods, which are facing high levels of unemployment, delinquency and poverty, and inadequate levels of public services. (LINK)

## “Housing Policies in the EU: A means for Urban Regeneration” (report by Spain)

## “European Urban and Territorial Networks to Exchange Experience, Learning and Skills and Generate New Knowledge” (report by Portugal, Leipzig, 24 and 25 May 2007). (PDF)

Citação: “Actively recognizing that the successful delivery of integrated urban development also depends on the public, private and community sectors working together and making the best use of generic and cross-occupational skils and knowledge, as demonstrated by the United Kingdom’s evaluation report on the Skills for Sustainable Communities work programme since the British Informal.” (in chapter 6: Key actions for the near future)

## “Regions for Economic Change”

## “The Role of the European Investment Bank in Sustainable Urban Development” (report by UK Presidency)

Citação “The Ministers took note of the European Commission’s report on the implementation of sustainable urban development and the special emphasis placed on the territorial dimension in the national strategic reference frameworks and the operational programmes of the EU Member States for the 2007-2013 programming period. They would like the new structural funds programmes as appropriate to contribute to an effective implementation of the EU Territorial Agenda and the Leipzig Charter.” — in “Conclusions of the German EU Council Presidency on the Informal Ministerial Meeting on Urban Development and Territorial Cohesion”, Leipzig, 24-25 May 2007

Mais CO2 na atmosfera

Climate model. BBC

19-05-2007. Revista Science: Oceano polar absorve menos CO2. BBC News

50% do CO2 causado pela queima de combustíveis sólidos é absorvido, em partes sensivelmente iguais, pelos mares e pela biosfera terrestre. Regista-se, porém, uma rápida deterioração da capacidade de armazenamento de CO2, quer no mar que em terra, devido a múltiplos factores, entre os quais o crescimento das emissões de CO2 industrial, ou proveniente dos incêndios e pragas de insectos, parecem ser os determinantes.

Cerca de 40% dos gases com efeitos de estufa provêm do sector dos transportes. E neste sector, aviões e automóveis são os mais poluentes.

A equação é fácil: se o aquecimento global causado pela diminuição da capacidade natural do planeta absorver o CO2 chegou 40-50 anos mais cedo do que o previsto, a única forma de retardar um desastre climático global é travar com toda a força a actual economia petrolífera, atacando desde já (pela via do preço, pela fiscal e pela via administrativa) os principais poluentes e emissores de CO2 industrial: os aviões e os automóveis.

Alternativas: penalisar drasticamente o transporte aéreo e automóvel; recuperar e inovar o transporte ferroviário, fluvial e marítimo; redesenhar as cidades e os respectivos sistemas de abastecimento alimentar; desmaterializar o consumo e as formas dominantes da actividade social e cultural; incrementar os níveis de responsabilidade individual e cooperativa na governança local, nacional, regional e global das humanidade.