3ª Travessia do rio Tejo: debate público (1)

Carta aberta de António Brotas a Helena Roseta, vereadora s/ pelouro da Câmara Municipal de Lisboa (e depositária de um importante capital de esperança cidadã.)

Cara Helena Roseta,

A Câmara de Lisboa não tem um gabinete de estudos vocacionado para os problemas estratégicos da cidade que tenha por hábito reunir e ouvir a opinião dos cidadãos (que existem) e que têm algumas coisas a dizer sobre a matéria. As outras Câmaras da Área Metropolitana [de Lisboa/ Portugal], idem.

Propor, assim, uma reunião na CCRLVT [Comissão Coordenadora da Região de Lisboa e Vale do Tejo] de todas as Câmaras para, sem qualquer preparação prévia, abordar os problemas estratégicos da Área Metropolitana, parece-me que só contribuirá para manter os cidadãos ainda mais afastados dos problemas. Há, além disso, problemas mais e menos urgentes. Ou seja, os problemas têm diferentes calendários, havendo diferentes instâncias para serem tratados convenientemente. Parece-me que são muito poucos os que tenham como cenário mais adequado para serem tratados, a reunião de todas as Câmaras na CCRLVT.

Um problema, por exemplo, que deve ser tratado pelas Câmaras ribeirinhas do Tejo, é o da travessia ferroviária do Tejo e da futura estação central dos TGV em Lisboa. Não é, no entanto, um problema que exija uma decisão imediata nestes próximos dois anos. O que é necessário é que seja muito bem estudado e resolvido.

Há 4 hipóteses de travessia ferroviária do Tejo que, a meu vêr, devem ser estudadas.

  1. A ponte Chelas-Barreiro.
  2. A ponte ou túnel para o Montijo.
  3. A travessia entre Alverca e Alhandra.
  4. A travessia logo a seguir a Vila Franca.

Tenho insistido, desde há 4 anos (desde o Ministro António Mexia) para estas 4 hipóteses serem seriamente estudadas. Há sectores que se têm mostrado sensíveis ao problema, mas não até agora, infelizmente, a Câmara de Lisboa.

(Além das 4 hipóteses acima referidas já foram apresentadas mais duas que a meu ver devem ser liminarmente eliminadas.

Uma é a hipótese de travessia que consta do último PROTAML, elaborado pela CCRLVT, creio que em 2005. Nesta proposta, os comboios TGV vindos de Badajoz, por altura de Vendas Novas, subiriam para Nordeste para irem atravessar o Tejo acima da Azambuja, para passarem na Ota, para depois virem até Lisboa, pela margem Norte, não claramente definido mas certamente com custos exorbitantes.
Esta proposta tem algo de sádico. Os passageiros que tivessem decidido vir de TGV de Madrid até Lisboa seriam obrigados (para castigo?), com custos adicionais no preço dos bilhetes e na duração da viagem, a ir ver o Aeroporto da Ota, onde tinham decidido não aterrar.
Uma proposta deste género só foi possivel porque o Eng. Fonseca Ferreira, Presidente da CCRLVT, ao longo destes anos, teve um muito especial cuidado em ignorar a opinião de quem, sobre este e outros assuntos emitiu opiniões diferentes das dos estudos (?) da CCRLVT.
Compreende que não me pareça a CCRLVT a entidade adequada para promover encontros em que haja que ouvir opiniões diversas.
Aliás, muito recentemente, o Eng. Fonseca Ferreira declarou que, por razões ambientais, não podia (ou não devia) ser construido um novo aeroporto na Península de Setúbal. Eu fiquei chocado por vêr o principal responsável pelo Ordenamento do Território excluir, sem apresentar argumentos ou pareceres técnicos, a possibilidade de construir um aeroporto numa tão vasta zona. Perguntei-lhe em que estudos ou pareceres técnicos se baseava, ele não os apresentou. Vemos agora o LNEC declarar que o novo aeroporto pode ser construido em Alcochete. Não sei se o Eng. Fonseca Ferreira se continua a considerar com competência para emitir pareceres sobre este tipo de questões.

Uma outra possibilidade de travessia do Tejo, quase folclórica, foi defendida pelo Professor Manuel Porto, num encontro em Coimbra há talvez 6 anos. Ele defendeu que o TGV vindo de Badajoz devia atravessar o Tejo para ir [até] ao Entroncamento […]. Eu perguntei-lhe como é que viriam depois do Entroncamento até Lisboa, pela Margem Esquerda, ou pela Margem Norte, e ele respondeu-me: “Por onde o Engenheiro quiser”.)

Penso que teria muito interesse que as Câmaras de Lisboa, do Barreiro e do Montijo se encontrassem e estimulassem encontros de técnicos e cidadãos interessados para debaterem as duas hipóteses: travessia para o Barreiro ou para o Montijo. Já escrevi sobre isto.
Penso que teria de igual modo interesse que a Câmara de Vila Franca estimulasse o debate sobre as duas hipóteses de travessia, antes ou acima de Vila Franca.
Entretanto, seria pedido ao Governo para mandar fazer os necessários estudos técnicos.
Se assim fizermos, penso que daqui a dois ou três anos, o Governo poderá, falando para um país informado, anunciar uma decisão consensual.

Encaro estes assuntos com um razoável optimismo.
Em suma, penso que temos de mudar em Portugal a maneira de os abordar, mas penso que o poderemos fazer, em parte com o contributo da Câmara de Lisboa.
É esta a motivação que me leva a escrever e enviar este email.

6 de Setembro 2007

Com as melhores saudações

António Brotas

Nota: os parêntesis rectos são da responsabilidade d’oGE

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