Happy Planet Index

Vanuatu, Mt Yasur volcano
Vanuatu, o arquipélago melanésio de 83 ilhas, situado no Pacífico, entre a Nova Caledónia e a Austrália, e descoberto em Maio de 1606 por um português de Évora chamado Pedro Fernandes de Queiroz (1), conhecido até à sua recente independência do condomínio franco-britânico como Novas Hébridas, vem em primeiro lugar na lista dos países mais felizes do planeta. Os Estados Unidos aparecem, por causa da sua enorme patada ecológica, colocados na posição 150 (entre 178), Portugal surge no lugar 136 (o que diz bem do pessimismo da sua população, bem como da falta de uma política energética avisada) e as últimas posições da lista são ocupadas pelos chamados estados falhados: República Democrática do Congo, Burundi, Suazilândia e Zimbabwe.

Este índice planetário de felicidade, criado por Nic Marks, Andrew Simms, Sam Thompson e Saamah Abdallah, para o New Economics Foundation, com o apoio da Friends of Earth, pode ser lido como um sábio exercício de humor, na medida em que boa parte dos países desenvolvidos aparecem do meio da tabela para baixo! Em geral, os países-ilhas são aqueles que se saiem melhor da equação que determina o índice de felicidade:

HPI = Life satisfaction x Life expectancy : Ecological Footprint

Por outro lado, se observarmos em pormenor o método usado, chegamos à conclusão de que o estudo coloca interrogações sérias às nossas convicções ideológicas sobre o desenvolvimento e o bem-estar, longamente inoculadas pela propaganda constante da sociedade do crescimento, do mercado, da competição e do consumo. Se o mundo todo quisesse ter os mesmos níveis de produção e consumo do Reino Unido, precisaríamos de 3 planetas para o conseguir. O simples facto de a China pretender alcançar no curto prazo os mesmos padrões do desenvolvimento ocidental (medidos sobretudo pelo PIB per capita, pelo PIB e pelos níveis de consumo) começou já a criar tais problemas à chamada globalização que, ou muito se enganam os mais atentos observadores da actualidade, ou verificaremos até ao fim da presente década, ou na melhor das hipóteses, até 2020-30, que não existe outra alternativa para a humanidade que não passe por alterar o seu dispendioso, despropositado e insustentável modo de vida. Por este caminho já não se conseguirá a felicidade — o sonho americano não passa de um cadáver adiado. Muito pelo contrário, se persistirmos nele, apenas conseguiremos aumentar a infelicidade e o desespero estampados nos milhares de vítimas civis dos conflitos que, por causa desta mesma ilusão, se instalaram no mundo: Ruanda, Chade, Burundi, República Centro Africana, Afeganistão, Iraque, Haiti, Palestina, Líbano, Israel…

Links

Vanuatu

Vanuatu, Port Vila Press

Vanuatu’s only daily newspaper


NOTAS

  1. Pedro Fernandes de Queiroz nasceu Évora em 1565. Entrou ao serviço da União Ibérica (ou melhor, do Estado espanhol, que então herdara, pela via matrimonial, o Reino de Portugal), tendo-se tornado um experiente navegador da marinha espanhola. Em 1600 visitou Roma e obteve o apoio do Papa Clemente VIII para prosseguir as suas explorações marítimas, o que fez em em 1605, largando de Callao, importante porto peruano, no dia 21 de Dezembro, com 300 marinheiros e soldados a bordo das três naus, San Pedro y Paulo, San Pedro e Los Tres Reyes. Em Maio de 1606 a expedição chegou a umas ilhas, que julgou serem parte do grande continente australiano que buscava, dando-lhe por isso o nome La Austrialia del Espiritu Santo. Neste lugar viria a fundar uma colónia chamada Nova Jerusalém. A profunda religiosidade do alentejano levou-o a criar também uma nova Ordem de Cavalaria, Os Cavaleiros do Espírito Santo. No entanto, os desentendimento com os indígenas, de que resultariam conflitos e agressões, levou a que esta estadia terminasse ao fim de algumas semanas. O seu segundo-comandante, outro marinheiro português, chamado Luis Vaz [Vaéz] de Torres (que deu nome ao actual Torres Strait e às ilhas da Melanésia chamadas Torres Strait Islands, onde se fala um crioulo chamado Torres Strait Creole) foi provavelmente o primeiro europeu a ver a linha de costa australiana. Pedro Fernandes de Queiroz [Pedro Fernández de Quirós] regressou a Madrid em 1607. Considerada uma pessoa difícil, passou sete anos na pobreza, escrevendo inúmeros relatos da sua viagem. Mendigou o apoio do Rei Filipe III para uma nova viagem, acabando por ser enviado de volta ao Perú, sem que houvesse reais intenções de lhe subsidiar nova expedição. Morreu no Panamá em 1615.

[Documentação recolhida num artigo da Wikipedia. Artigo original]

The First Discovery of Australia and New Guinea By George Collingridge De Tourcey

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