Novos aeroportos: a TAP e a hipótese do Montijo

Sobre o aeroporto de Lisboa, Dieter Faulenbach da Costa, da Faulenbach Airport Consulting, empresa que já trabalhou com a ANA Aeroportos de Portugal, nomeadamente no planeamento do aeroporto do Funchal, escreveu-nos um mail, que passamos a traduzir:

“Neste momento ninguém pode dizer com propriedade qual seria a melhor localização para o aeroporto de Lisboa. Para tal, terá que ser feita uma análise exaustiva do desenvolvimento do tráfego aéreo e uma análise minuciosa da economia e estrutura social a região.

Para além de postos de trabalho, um aeroporto traz consigo companhias e empresas ligadas ao turismo e à economia de serviços.

Do ponto de vista ambiental (poluição sonora, etc.) o aeroporto de Lisboa terá que sair do centro da cidade. Para tornar o novo aeroporto de Lisboa competitivo no mercado internacional, é indispensável preverem-se os movimentos do tráfego aéreo a médio e longo prazo, analisarem-se estruturas já existentes e analisarem-se quais as vantagens que uma nova localização pode trazer à população e a empresas nacionais e internacionais ligadas ao mercado.

Só depois dessa análise estar feita é que se pode escolher acertadamente uma localização.

A construção de um terminal para companhias de baixo custo no Montijo (low cost), hipótese levantada por alguns (1), vai obrigar a TAP a uma nova estratégia de mercado, que não passa pelas normas da concorrência.

Uma competição entre os dois mercados — linhas aéreas e charters /low-cost) — iria obrigar a uma política de subvenção das linhas aéreas convencionais (TAP, Portugália, etc.) como mostra o exemplo europeu.

Definir uma nova estratégia de mercado será uma prioridade para a TAP, se a hipótese Montijo entrar na concorrência.

As companhias aéreas de baixo custo podem oferecer, a partir do Montijo, preços mais baixos, sobretudo para os destinos europeus. Esses preços dirigem-se a um mercado novo que até à data não tem sido levado em conta pelas companhias aéreas de linha e charter. Como esse mercado não é inesgotável, prevê-se que rapidamente as companhias aéreas de baixo custo recorram ao mercado tradicional, implicando para a TAP una perda de clientes, só evitável com a adopção de uma nova estratégia de mercado.”

Frankfurt, 04.05.2005

1 — Aviação: Lisboa pode ter segundo aeroporto civil

Portugal poderá passar a dispor, na sua capital, de outro aeroporto civil, além do já existente na Portela, devendo, para isso, ser utilizada uma das bases militares dos arredores de Lisboa.

A ser criado, o segundo aeroporto servirá, sobretudo, para receber as companhias aéreas de baixo custo, conhecidas como “low cost”, que não utilizam a Portela por ter taxas muito caras.

Em declarações à RR, o secretário de Estado do Turismo confirma que já existem contactos para a criação do novo aeroporto e que está a ser considerado “um conjunto de infraestruturas”. Bernardo Trindade defende a transformação de uma das quatro bases militares nos arredores de Lisboa em aeroporto civil.

Quem não tem a mesma opinião é o comandante Sousa Monteiro, da Aviação Civil, que, apesar de considerar positivo que passe a haver um complemento ao aeroporto da Portela, discorda que a base aérea do Montijo seja a hipótese mais viável.

in Rádio Renascença, 02/05/2005. LINK

2 responses to “Novos aeroportos: a TAP e a hipótese do Montijo

  1. Num outro site: LINHA DA FRENTE, tem sido constantemente discutido o problema do NOVO AEROPORTO de LISBOA.

    Se bem que as opiniões sejam divergentes…, a maioria dos participantes defende que o NOVO AEROPORTO deve ser construido em RIO FRIO e não na OTA,por muitas razões, mas, especialmente, PORQUE: a)-é um local amplo e plano, sem obstáculos á volta, pouco povoado e muito acessível; b)-ficaria na junção das duas linhas de TGV, de Madrid/Lisboa e Porto/Lisboa; c)-seria mais intermodal, pois ficaria perto de 2 linhas de TGV e de outras vias féreas para Lisboa, Norte e Sul e mais perto de 3 importantes Portos (lisboa, Setúbal e Sines); d)-mais perto de várias autoestradas para Lisboa e Norte,para Sul e para Espanha; etc. etc..
    Por estas razões e, muitas outras, RIO FRIO seria o local adequado…, mas,infelizmente, parece que há “lobbies” determinados a levar o NOVO AEROPORTO para a OTA… Porque Será ???!!!.

    Cumprimentos. J.André.

  2. Parece que a solução preferida pelo actual Governo PS (prisioneiro do lobby Norte-Sul) passa por:

    1 – adaptar o aeroporto de Alverca, transformando-o numa espécie de extensão da Portela, até 2015. Para não perder o incremento previsto de tráfego de pessoas e mercadorias nos próximos 10 anos.

    2 – construir entretanto o aeroporto da Ota, capitulando deste modo perante os interesses instalados (capacidade de armazenagem e distribuição residente no eixo compreendido entre Vila Franca de Xira e Santarém; lobby do eixo Norte-Sul)

    Sucede que o que precisariamos era de uma viragem estratégica de fundo na definição da ossatura identitária do País.

    A nossa independência esteve associada, durante 837 anos, ao eixo Norte-Sul (projecção constitutiva da nacionalidade) e à aliança anglo-portuguesa, nascida do casamento de Philippa of Lancaster, de Inglaterra, com João I, de Portugal (1387), e reforçada pelo Tratado de Metween (1703). Não creio que este eixo continue a fazer sentido. Pelo contrário, a sua manutenção forçada tem sido um obstáculo decisivo ao desemburramento do País! No quadro europeu actual – e que aí vem – Portugal precisa de reorientar drasticamente a sua ossatura identitária.

    E na minha opinião deverá fazê-lo redesenhado as suas unidades administrativas principais. Para tal, e para além das 2 Regiões Autónomas já existentes (Madeira e Açores) deveriam ser criadas mais duas: a de Lisboa e Vale do Tejo e a do Norte. No resto do País proceder-se-ia a uma redução forçada e drástica do número de municípios.

    Se virmos a coisa por este prisma perceber-se-á facilmente que o Porto deverá expandir-se para Norte, reforçando estrategicamente os seus laços históricos e fraternais com a Galiza (Vigo, Santiago, Ourense, Corunha…), e que Lisboa tem que crescer em direcção ao Sul e a Leste (Badajoz, Madrid, Barcelona). A nova Lisboa do século 21 deve cruzar o rio Tejo sem medo dos castelhanos! E para isso, o novo aeroporto, o de 2015 ou 2017 deveria nascer, efectivamente em Rio Frio!

    A este novo eixo estratégico fundamental da ossatura identitátia portuguesa costuno chamar o EIXO TRANS_IBERIANO. Ao velho eixo Porto-Galiza, deveríamos chamar, como lhe chamou José Rodrigues Miguéis, PORTUGALGALIZA. As nova nações europeias serão sobretudo nações em rede, sentimentais, no grande território europeu. De contrário, será o fim da Europa.

    Em O Grande Estuário, projecto dinâmico e aberto de reflexão pública sobre Lisboa, a Grande Área Metropolitana de Lisboa e a Região de Lisboa e Vale do Tejo. chegámos a pensar que seria possível manter o aeroporto da Portela, com duas extensões próximas (Montijo e Tires). Sei agora que a Portela não poderá manter-se por muito mais tempo (nomeadamente por causa dos novos super-aviões de transporte de passageiros e carga). Montijo teria problemas semelhantes com as novas aeronaves (além dos impactos ambientais problemáticos). Assim sendo, uma localização mais a Sul seria de facto ideal. Rio Frio pare ser, concedo, uma boa hipótese.

    O que não aceito é o autoritarismo governamental quando fala deste tema. Precisamos de mais discussão pública, sem filtros, nem ruído de despiste (media scrambing).
    AC-P

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