Monthly Archives: Maio 2005

Estrago da Nação

Farpas Verdes CCVI

O conceito de modernidade em Portugal é, por vezes, confundido com propostas arrojadas que, a mais das vezes, constituem um chorrilho de delírios disparatados. Vem isto a propósito de um «estudo» proposto por, segundo uma notícia do jornal Público de ontem, um grupo de arquitectos, engenheiros do ambiente e artistas para uma Lisboa do ano2030. O nome do estudo em si mesmo já é algo alucinante: «O Grande Estuário 2030: Uma Cidade sem Petróleo». Alucinante e contraditório: propõe, desde logo, uma expansão enorme da malha urbana da Grande Lisboa suportada não em mais uma, mas sim mais duas pontes.

Em seguida, dizem os autores que como Lisboa está envelhecida, atrofiada e incapaz de oferecer «alternativas credíveis às novas tensões urbanísticas» (não sei o que isto quer dizer…), a solução passa por crescer para sul. Depois, no meio disto, surge também a proposta para uma candidatura para os Jogos Olímpicos de 2020, um aeroporto no Montijo (embora se saiba que tecnicamente e por motivos de segurança, esta não é uma solução válida) e o mais que certamente estará no estudo, mas que a notícia não refere.

Se algum dos autores deste «estudo» olhasse para as dinâmicas demográficas da Grande Lisboa, olhasse para as finanças do país, olhasse para a necessidade de reabilitar Lisboa e conter a suburbanização, porventura teria gasto melhor o seu tempo, propondo verdadeiras e exequíveis medidas para a tal Lisboa sem petróleo do ano 2030.

Em resposta a este post num blog ambientalista ESTRAGO DA NAÇÃO gostaria de esclarecer o seguinte:

Necessidade de Reabilitar Lisboa Estamos completamente de acordo. Isso deverá ser feito criando condições para a fixação de população no centro, para que deixe de funcionar das 9 ás 5. Não é com a situação actual que conseguimos ser uma cidade competitiva. Ao ter uma área metropolitana com quase 30% da população nacional, com previsões de chegar a quase 50% nos próximos 25 anos, não podemos aceitar que entrem todos os dias na cidade -maioritariamente em transporte privado- 2/3 da população. É prioritário estabelecer uma política eficaz de mobilidade pública como complemtento de uma re-activação do centro. Um exemplo? Barcelona, onde tive o prazer de morar e trabalhar durante seis anos.

Conter a Suburbanização É uma necessidade urgente. Gostava de saber qual é a sua proposta para isto. Para mim o conceito de Suburbanidade implica movimentos pendulares diários com todas as consequências dai resultantes. Isso é de evitar. Como? Através duma descentralização e expansão do centro. Lisboa apenas pode ser competitiva a nível europeu se consolidar uma estrutura metropolitana para acolher com dignidade os seus 4 milhões de habitantes. não podemos continuar a pensar que o suburbio existe como dormitório de uma meia-centralidade absurda. Temos que reforçar as centralidades locais (Amadora, Loures, Almada, Barreiro, etc.) de modo a permitir que uma estrutura policêntrica responda às necessidades da futura região metropolitana de Lisboa.

Jogos Olímpicos São apenas um meio para se atinjir um fim. É necessário algum objectivo Supra-local de modo a criar as condições necessárias a uma infra-estruturação sustentável da região. Os Jogos Olímpicos é um destes exemplos. Não acredito num delírio como o Euro2004 que apenas nos deixou como legado 10 campos de futebol que não tem interesse estratégico nem prático. Poderiamos pensar no tema dos Jogos, ou num Fórum das Religiões, ou outra grande intervenção que tenha a capacidade de regenerar tecidos urbanos.

Aeroporto no Montijo As propostas que apresentamos são feitas com base em investigações feitas por nós. Acreditamos que deverá na Margem Sul. A transformação de uma Base Aérrea Militar é uma das opções. A mais realista é em Rio Frio. Como tudo, estas opiniões são passiveis de contradição. Neste caso estamos a dialogar com Faulenbach Airport Consulting, que nos aportou alguma informação “lobby-free” que lhe pode interessar.
:: http://antoniomaria.typepad.com/oge/2005/05/novos_aeroporto.html ::

Finanças do País O estado da nação é de facto o grande problema que nos impede de melhorar. No entanto, se continuarmos a esbanjar oportunidades de investimento estrangeiro em Portugal não sairemos nunca do buraco que nós próprios cavamos. O caso do Parque Solar nas minas de S.Domingos é disso exemplo. E muitos outros devem existir. Temos capacidade para que 70% da nossa energia possa ser de fontes limpas, mas importamos 86.2% da nossa energia, (64,2% é petróleo). Podemos fazer uma conta simples: o Barril de Brent aumentou entre 2001 (24.9$usd) e 2005 (47.1$usd) o que dá uma média de 4.4$usd ao ano. Como as nossas importações de Crude são anualmente de 110 milhões de Barrris de Petróleo, significa que nos últimos 5 anos gastamos 488.4 milhões de dólares apenas para conseguir manter o nível de consumo, sem contar com o crescimento económico. Acho que ambos concordamos que seria melhor gastar em programas sociais, educação, saúde, investigação, etc.
:: http://antoniomaria.typepad.com/oge/2005/05/parque_solar_na.html ::

Gostaria de acrescentar que a problemática da falta de petróleo não tem apenas consequências na nossa mobilidade. Importamos 85% da nossa alimentação, que é transportada usando fontes de energia fóssil. Imagina o impacto nos preços ou na variedade? Utilizamos também Petróleo como matéria prima para um sem fim de plásticos e outros produtos quimicos. Consegue imaginar a sua vida sem computador ou sem telemóvel?

Para finalizar, quero dizer que esta é a nossa visão estratégica para “o Grande Estuário”. Estou certo que haverá outras. Gostava que a sociedade civil fosse mais activa de modo a haver discussão e começar a mostrar ao poder politico que estes temas também são de nossa responsabilidade. Não adianta escrever sobre as coisas, mas sim começar a formalizar propostas e estar abertos e receptivos ao diálogo. Portugal não precisa de mais “Velhos do Restelo” a defender e a fazer oposição demagógica.

Atentamente,
Carlos Sant’Ana

Parque solar nas minas de S. Domingos?

Alemães investem 426 milhões em parque solar em S. Domingos
Um conjunto de empresas alemãs, em que está incluída a Siemens, pretende construir a maior central eléctrica solar do mundo nos terrenos das desactivadas Minas de S. Domingos, Alentejo. O projecto de investimento de 426 milhões de euros para instalar uma central eléctrica com uma potência de 116 MW e uma fábrica de módulos está pronto a arrancar, faltando apenas a licença do Ministério da Economia para os promotores avançarem com as obras.

A La Sabina – Sociedade Mineira e Turística SA , proprietária do terreno com uma área de dois mil hectares, 250 hectares dos quais serão para o parque solar, é o requerente do projecto junto das autoridades nacionais, estando a representar os sócios alemães Siemens, Villa Lohberg e Roth & Ran, que formam o consórcio Solar Power.

Leia a notícia na íntegra na edição de hoje do Jornal de Negócios.

—in Jornal de Negócios Online, 05.05.2005 LINK

Comentário: Imagino que os lobbies petrolíferos e do gás não tenham gostado nada desta hipótese de diminuição da nossa dependência energética. Imagino o Mexia da GALP a mal aconselhar o indescritível Santana Lopes. Imagino o improdutivo Cadilhe a elocubrar teorias pausadas e dantescas sobre o futuro de Portugal. Sugiro, antes que seja tarde, um grande saca-rolhas para puxar este assunto à luz dos média, sob pena do actual Governo mandar realizar mais estudos caríssimos, para concluir o óbvio: que perder esta oportunidade para Espanha seria prova de uma indecisão política fatal.

Na versão impressa do Jornal de Negócios lê-se, a propósito da visita de Helmfried Horster à famosa Agência Portuguesa para o Investimento, do Sr Cadilhe, uma referência deliciosamente assassina: “Fomos muito bem recibidos, num escritório muito chique e com vista fabulosa sobre o rio, mas em termos práticos não avançámos um centímetro. — AC-P

Novos aeroportos: a TAP e a hipótese do Montijo

Sobre o aeroporto de Lisboa, Dieter Faulenbach da Costa, da Faulenbach Airport Consulting, empresa que já trabalhou com a ANA Aeroportos de Portugal, nomeadamente no planeamento do aeroporto do Funchal, escreveu-nos um mail, que passamos a traduzir:

“Neste momento ninguém pode dizer com propriedade qual seria a melhor localização para o aeroporto de Lisboa. Para tal, terá que ser feita uma análise exaustiva do desenvolvimento do tráfego aéreo e uma análise minuciosa da economia e estrutura social a região.

Para além de postos de trabalho, um aeroporto traz consigo companhias e empresas ligadas ao turismo e à economia de serviços.

Do ponto de vista ambiental (poluição sonora, etc.) o aeroporto de Lisboa terá que sair do centro da cidade. Para tornar o novo aeroporto de Lisboa competitivo no mercado internacional, é indispensável preverem-se os movimentos do tráfego aéreo a médio e longo prazo, analisarem-se estruturas já existentes e analisarem-se quais as vantagens que uma nova localização pode trazer à população e a empresas nacionais e internacionais ligadas ao mercado.

Só depois dessa análise estar feita é que se pode escolher acertadamente uma localização.

A construção de um terminal para companhias de baixo custo no Montijo (low cost), hipótese levantada por alguns (1), vai obrigar a TAP a uma nova estratégia de mercado, que não passa pelas normas da concorrência.

Uma competição entre os dois mercados — linhas aéreas e charters /low-cost) — iria obrigar a uma política de subvenção das linhas aéreas convencionais (TAP, Portugália, etc.) como mostra o exemplo europeu.

Definir uma nova estratégia de mercado será uma prioridade para a TAP, se a hipótese Montijo entrar na concorrência.

As companhias aéreas de baixo custo podem oferecer, a partir do Montijo, preços mais baixos, sobretudo para os destinos europeus. Esses preços dirigem-se a um mercado novo que até à data não tem sido levado em conta pelas companhias aéreas de linha e charter. Como esse mercado não é inesgotável, prevê-se que rapidamente as companhias aéreas de baixo custo recorram ao mercado tradicional, implicando para a TAP una perda de clientes, só evitável com a adopção de uma nova estratégia de mercado.”

Frankfurt, 04.05.2005

1 — Aviação: Lisboa pode ter segundo aeroporto civil

Portugal poderá passar a dispor, na sua capital, de outro aeroporto civil, além do já existente na Portela, devendo, para isso, ser utilizada uma das bases militares dos arredores de Lisboa.

A ser criado, o segundo aeroporto servirá, sobretudo, para receber as companhias aéreas de baixo custo, conhecidas como “low cost”, que não utilizam a Portela por ter taxas muito caras.

Em declarações à RR, o secretário de Estado do Turismo confirma que já existem contactos para a criação do novo aeroporto e que está a ser considerado “um conjunto de infraestruturas”. Bernardo Trindade defende a transformação de uma das quatro bases militares nos arredores de Lisboa em aeroporto civil.

Quem não tem a mesma opinião é o comandante Sousa Monteiro, da Aviação Civil, que, apesar de considerar positivo que passe a haver um complemento ao aeroporto da Portela, discorda que a base aérea do Montijo seja a hipótese mais viável.

in Rádio Renascença, 02/05/2005. LINK

Estudo sobre o futuro de Lisboa propõe unir margens do Tejo e crescer para sul

O aumento dos atravessamentos do rio e a concentração de novas actividades na margem esquerda são duas ideias marcantes

“Existe uma barreira física intransponível que condiciona a concretização do principal objectivo do estudo: o rio Tejo. Porém, o movimento cívico sustenta que o aumento da rede de transportes transformaria o rio numa barreira ‘invisível’.” — Diana Ralha, in Público, Local, Sábado, 30 Abril 2005

Novo aeroporto de Lisboa. Ota fora de jogo?

“O Governo vai avançar com a construção do novo aeroporto de Lisboa, mas ainda não decidiu se a futura infra-estrutura fica na Ota, ou noutro local. Montijo, Alverca, Tires e Portela continuam a ser alternativas. Mário Lino deixou ontem claro que “está insatisfeito com a actual solução de construção na Ota”. in DN 29.04.2005 Link

A nossa visão situa-o no Montijo! Gostaria, porém, que algum especialista se dispusesse a analisar esta hipótese connosco, de modo a pormos em marcha um Simulador de Futuros (SdF) dedicado ao novo aeroporto internacional da Grande Area Metropolita de Lisboa. Algum especialista interessado em colaborar? Esperamos que sim!

E fazemos votos sinceros para que o PS não se volte a enredar e a perder o Norte, por causa das pressões dos lobbies. O que está em causa é tomar uma decisão acertada, mas fazê-lo como parte de um grande gesto visionário. E esse gesto chama-se, claro está, o Grande Estuário.

O Grande Estuário

Objectivo: Lisboa 2020

“O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), Vicente Moura, que tem feito da candidatura de Lisboa à organização dos Jogos de 2016 ou 2020 a sua bandeira, disse ao Independente que a notícia de um movimento cívico de mobilização para a candidatura de Lisboa é ‘muito agradável’. É relevante despertar a atenção da sociedade civil para a importância desta candidatura para Lisboa e para o país. O representante nacional do Comite Olímpico foi contactado por ‘diversos gabinetes de arquitectos’ mas ainda não conhece o projecto para a Lisboa 2020”.

(…)

“Os autores do estudo estão a planear parcerias com empresas privadas e com os municípios envolvidos. Convém recordar que este não é um projecto comercial mas uma iniciativa criativa e cívica que pretende transportar para fora das secretarias o debate sobre o futuro da cidade.”

in O Independente. 29 Abril 2005. p 23
Adriana Vale avale@oindependente.pt

Título: Objectivo: Lisboa 2020
Sub-titulo: A Galeria Quadrum apresenta hoje um plano de alterações para a Lisboa do futuro. O projecto inclui a dinamização do processo de candidatura da capital portuguesa às Olimpíadas de 2020.