o Grande Estuário

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Queens, NY, uma semana sem energia!

Julho 26, 2006 · 2 Comentários

Heat Wave in NY and California

Para evitar os apagões em cascata, os fornecedores de electricidade dos Estados Unidos começaram a pôr em prática uma nova táctica para enfrentar os picos de consumo energético, vulgarmente conhecida por Rolling blackout. Assim, quando uma onda de calor, como a que se manifesta neste momento no nosso país, no resto da Europa e nos Estados Unidos (onde as temperaturas chegaram já aos 48 graus C), só para mencionar alguns casos mais visíveis nos últimos dois meses, sobrecarrega a procura de energia eléctrica, podendo provocar apagões em cadeia (Cascading failure), os responsáveis das centrais eléctricas programam entre si planos de cortes selectivos. Só que por vezes os cálculos saiem errados!

Foi que o aconteceu ao importante bairro de Queens (100 mil pessoas), em Nova Iorque, que ficou às escuras desde o passado dia 16 de Julho, e só ontem recuperou parcialmente o fornecimento de enegia eléctrica (ver notícia). Os cortes selectivos têm vindo também a suceder-se a um ritmo preocupante em múltiplas localidades da Califórnia, embora por períodos mais curtos (entre 1 hora e 1 dia…). A maioria da rede eléctrica estado-unidense, sucessivamente alienada ao sector privado a partir da era Reagan, encontra-se num estado lastimável; os consumos, por outro lado, continuam a crescer de forma insustentável; o aquecimento global, por fim, acentua os picos e as vagas de calor, de frio, de inundações e de ciclones — cujo resultado final é o inevitável stress de todo o sistema energético nacional.

Os prejuízos destes grandes apagões são imensos: milhões de dólares de alimentos para o lixo, milhões de horas de trabalho por realizar, sites da Internet pendurados, ansiedade geral e a inescapável verborreia dos políticos que nestas horas substituem ritualmente a assunção de responsabilidade. Os sinais estão à vista de todos. Só falta mesmo que o activismo ecológico ganhe mais força e saiba levar as democracias a perceber que precisamos mesmo de instaurar um estado de emergência energética à escala global.

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Inglaterra tropical

Julho 25, 2006 · 1 Comentário

high level of NO219 Jul 2006: o ano mais quente registado no Reino Unido. Agravando esta evidêndia do aquecimento global, as observações do satélite Envisat, da Agência Espacial Europeia, revelam níveis muito preocupantes de poluição por NO2 (dióxido de Nitrogéneo) nas principais cidades inglesas, belgas e holandesas. Estas altas concentrações de gases tóxicos com efeitos demonstrados na produção do chamado Ozono mau, bem como na destruição da camada de Ozono bom, provam uma de duas coisas: ou que o actual modelo de crescimento económico chegou ao fim, ou que chegaremos ao fim se prolongarmos por muito mais tempo este modelo de civilização. — in BBC News

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Happy Planet Index

Julho 23, 2006 · Deixe um Comentário

Vanuatu, Mt Yasur volcano
Vanuatu, o arquipélago melanésio de 83 ilhas, situado no Pacífico, entre a Nova Caledónia e a Austrália, e descoberto em Maio de 1606 por um português de Évora chamado Pedro Fernandes de Queiroz (1), conhecido até à sua recente independência do condomínio franco-britânico como Novas Hébridas, vem em primeiro lugar na lista dos países mais felizes do planeta. Os Estados Unidos aparecem, por causa da sua enorme patada ecológica, colocados na posição 150 (entre 178), Portugal surge no lugar 136 (o que diz bem do pessimismo da sua população, bem como da falta de uma política energética avisada) e as últimas posições da lista são ocupadas pelos chamados estados falhados: República Democrática do Congo, Burundi, Suazilândia e Zimbabwe.

Este índice planetário de felicidade, criado por Nic Marks, Andrew Simms, Sam Thompson e Saamah Abdallah, para o New Economics Foundation, com o apoio da Friends of Earth, pode ser lido como um sábio exercício de humor, na medida em que boa parte dos países desenvolvidos aparecem do meio da tabela para baixo! Em geral, os países-ilhas são aqueles que se saiem melhor da equação que determina o índice de felicidade:

HPI = Life satisfaction x Life expectancy : Ecological Footprint

Por outro lado, se observarmos em pormenor o método usado, chegamos à conclusão de que o estudo coloca interrogações sérias às nossas convicções ideológicas sobre o desenvolvimento e o bem-estar, longamente inoculadas pela propaganda constante da sociedade do crescimento, do mercado, da competição e do consumo. Se o mundo todo quisesse ter os mesmos níveis de produção e consumo do Reino Unido, precisaríamos de 3 planetas para o conseguir. O simples facto de a China pretender alcançar no curto prazo os mesmos padrões do desenvolvimento ocidental (medidos sobretudo pelo PIB per capita, pelo PIB e pelos níveis de consumo) começou já a criar tais problemas à chamada globalização que, ou muito se enganam os mais atentos observadores da actualidade, ou verificaremos até ao fim da presente década, ou na melhor das hipóteses, até 2020-30, que não existe outra alternativa para a humanidade que não passe por alterar o seu dispendioso, despropositado e insustentável modo de vida. Por este caminho já não se conseguirá a felicidade — o sonho americano não passa de um cadáver adiado. Muito pelo contrário, se persistirmos nele, apenas conseguiremos aumentar a infelicidade e o desespero estampados nos milhares de vítimas civis dos conflitos que, por causa desta mesma ilusão, se instalaram no mundo: Ruanda, Chade, Burundi, República Centro Africana, Afeganistão, Iraque, Haiti, Palestina, Líbano, Israel…

Links

Vanuatu

Vanuatu, Port Vila Press

Vanuatu’s only daily newspaper


NOTAS

  1. Pedro Fernandes de Queiroz nasceu Évora em 1565. Entrou ao serviço da União Ibérica (ou melhor, do Estado espanhol, que então herdara, pela via matrimonial, o Reino de Portugal), tendo-se tornado um experiente navegador da marinha espanhola. Em 1600 visitou Roma e obteve o apoio do Papa Clemente VIII para prosseguir as suas explorações marítimas, o que fez em em 1605, largando de Callao, importante porto peruano, no dia 21 de Dezembro, com 300 marinheiros e soldados a bordo das três naus, San Pedro y Paulo, San Pedro e Los Tres Reyes. Em Maio de 1606 a expedição chegou a umas ilhas, que julgou serem parte do grande continente australiano que buscava, dando-lhe por isso o nome La Austrialia del Espiritu Santo. Neste lugar viria a fundar uma colónia chamada Nova Jerusalém. A profunda religiosidade do alentejano levou-o a criar também uma nova Ordem de Cavalaria, Os Cavaleiros do Espírito Santo. No entanto, os desentendimento com os indígenas, de que resultariam conflitos e agressões, levou a que esta estadia terminasse ao fim de algumas semanas. O seu segundo-comandante, outro marinheiro português, chamado Luis Vaz [Vaéz] de Torres (que deu nome ao actual Torres Strait e às ilhas da Melanésia chamadas Torres Strait Islands, onde se fala um crioulo chamado Torres Strait Creole) foi provavelmente o primeiro europeu a ver a linha de costa australiana. Pedro Fernandes de Queiroz [Pedro Fernández de Quirós] regressou a Madrid em 1607. Considerada uma pessoa difícil, passou sete anos na pobreza, escrevendo inúmeros relatos da sua viagem. Mendigou o apoio do Rei Filipe III para uma nova viagem, acabando por ser enviado de volta ao Perú, sem que houvesse reais intenções de lhe subsidiar nova expedição. Morreu no Panamá em 1615.

[Documentação recolhida num artigo da Wikipedia. Artigo original]

The First Discovery of Australia and New Guinea By George Collingridge De Tourcey

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Portela: 5º na tabela europeia da pontualidade

Julho 21, 2006 · Deixe um Comentário

Rui Rodrigues, sempre atento, leu o relatório da Assotiation of European Airlines (AEA) sobre a pontualidade do tráfego aéreo na Europa. E sabem que mais? O aeroporto da Portela vem na quinta posição, entre 27 aeroportos internacionais europeus, no que se refere aos atrasos nas saídas dos aviões, sendo que a principal causa destes atrasos é a chegada tardia das aeronaves à Portela! Rui Rodrigues sublinha ainda (pensando nos matinais nevoeiros densos e recorrentes do vale da Ota) que as condições meteorológicas, excelentes, da Portela, tiveram uma incidência de apenas 0,1% nos referidos atrasos, os quais, no primeiro trimestre de 2006, andaram em média nos 43,6 minutos (as partidas no novo super-aeroporto de Madrid sofreram atrasos médios de 47,7 minutos…)

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Carbono e Alterações Climáticas

Julho 20, 2006 · Deixe um Comentário

No âmbito do lançamento da versão portuguesa da publicação “A Indústria Sustentável dos Produtos Florestais – Carbono e Alterações Climáticas” do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD Portugal), com o patrocínio da Celpa, Associação da Indústria Papeleira e o apoio do Metropolitano de Lisboa, vai realizar no próximo dia 27 de Julho uma Conferência onde se pretende discutir a contribuição das indústrias florestais para as questões do carbono. A Conferência irá realizar-se no Auditório do Metro de Lisboa (Estação do Alto dos Moinhos), pelas 9.30 horas. Programa (.pdf)

Sabendo-se quão abandonada anda a gestão das nossas florestas, e do perigo dos oligopólios da energia se lançarem numa corrida desenfreada para a produção de metanol à custa das economias silvícolas e agrícolas, convém mesmo assistir a esta conferência, para começarmos a perceber por onde irão os tiros e as tensões futuras entre os ministérios da Agricultura, Ambiente, Economia e Indústria e Comércio. Coisa curiosa: não existe um ministério da Energia no actual governo! E a Secretaria de Estado da Indústria e Energia, que existe, foi a instância preterida, a favor do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Economia, quando se tratou de assinar recentemente os contratos relativos à energia eólica. Percebe-se porquê: o tema da energia tornou-se transversal à orgânica típica dos governos. Mas não deixa de ser um mau sintoma a inexistência de um ministério da energia forte em Portugal, precisamente no momento em que a longa emergência energética em que o mundo já entrou exige estudos redobrados e grande clareza de ideias. O fiasco dos casos Patrick Monteiro de Barros, da Ota (e talvez mesmo do TGV) estão aí para provar os perigos que espreitam o actual governo de José Sócrates, ao que parece, demasiado incauto em matéria de energia.

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ESOF 2006

Julho 20, 2006 · Deixe um Comentário

Euroscience Open Forum: 15 a 19 Jul

O Euroscience Open Forum, como o nome indica, é organizado pelo Euroscience, uma organização fundada em 1997, actualmente com mais de 2000 membros em 40 países. Teve a sua 2ª edição pan-europeia na cidade alemã de Munique, entre os passados dias 17 e 19 de Julho. Ao que parece, correu muito bem. Alguns dos temas prometiam…

A new look at the ocean
Fusion research: bringing the sun down to earth
Green chemistry: a tool for socio-economic development and environmental protection
Biological invasions: A disaster for biodiversity?
How safe is your food ?

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Mapa europeu do Ozono

Julho 20, 2006 · Deixe um Comentário

[20 Jul 2006] — Não é bem o que a propaganda afirma, mas é um começo. Lisboa, Madrid, Paris, Londres, Roma, Berlim, etc. ainda não nos dizem nada neste novo mapa do Ozono na Europa em tempo real, mas o esqueleto da coisa já se percebe e será útil para todos quando for mais detalhado e rigoroso. Zonas a evitar, sobretudo para instalar empresas ou escolher residência, não será a menos interessante das possíveis consequências deste novo mapa interactivo. Por exemplo, dentro das grandes cidades, onde existem em geral números escassos de estações oficiais de medição, os grandes promotores citadinos (de zonas de escritórios, comerciais e residenciais) poderão num futuro próximo ter que fazer as suas próprias medições dos níveis de Ozono mau, seja para eleger as melhores zonas de investimento, seja para promover os resultados…

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Reforma fiscal ecológica

Julho 20, 2006 · Deixe um Comentário

Amy Taylor[19 Jul 2006] — Já ouviram falar da Reforma Fiscal Ecológica? Em 16 de Maio de 2001 (!) a OCDE produziu um documento recomendando aos países membros que dessem prioridade a reformas fiscais ecológicas, querendo com isto significar, maiores penalizações das actividades e dos actores que contribuem para a degradação do ambiente, mas também uma utilização estratégica das receitas arrecadadas, permitindo que as mesmas possam ser aplicadas em programas ambientais específicos, mas também na redução de outros impostos, etc., tendo por objectivo redireccionar os programas fiscais (aplicação de impostos e utilização das respectivas receitas) de modo a criar conjuntos integrados de incentivos à mudança para modelos de desenvolvimento sustentável. Aqui vai o exemplo canadiano, da responsabilidade da jovem canadiana Amy Taylor, assinalado pelo World Changing na edição de ontem.

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Peak Oil?

Julho 20, 2006 · Deixe um Comentário

Peak Oil? Alguns países nem sequer sabem o que está a acontecer.

[10 Jul 2006] — O académico e antigo executivo da Companhia Nacional Iraniana de Petróleos, Dr All Samsam Bakhtiari disse ao Finantial Services Institute de Sydney que os poços petrolíferos de todo o mundo estão a produzir o máximo que podem. Afirmou que os poços gigantescos da Arábia Saudita e do Kuwait estão a fazer um enorme esforço para atingir as metas de produção estabelecidas. E diz ainda que as quebras massivas de produção nos campos petrolíferos do Mar do Norte e do México terão enormes impactos económicos.
“O petróleo é o dominó dominante”, disse. “Quando o dominó do petróleo tomba, tombam todos os outros dominós.” In ABC

O que é o Peak Oil?

Receio cresce perante a crise energética

[13 Jul 2006] — Num inquérito realizado a 20 mil pessoas em 19 países, a BBC concluíu que a maioria das pessoas temem que as actuais políticas energéticas estejam a ameaçar a estabilidade ambiental do planeta e a paz mundial.

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Energia verde, ou tragédia?

Julho 20, 2006 · Deixe um Comentário

[14 Jul 2006] — Lester R Brown afirma na newsletter do Earth Policy Institute de 13 de Julho que o grão necessário para encher o depósito de um SUV (Sport-Utility Vehicle) com etanol chega para alimentar uma pessoa durante um ano. E o grão necessário para atestar o mesmo tanque duas vezes por mês ao longo de um ano chegaria para alimentar 26 pessoas no mesmo período.

Os Estados Unidos fornecem 70% das exportações mundiais de milho, o principal cereal utilizado actualmente (55 milhões de toneladas em 2006) nas mais de 100 distilarias em funcionamento para produzir etanol, um dos chamados combustíveis verdes em alta nos mercados de substituição dos cada vez mais caros gasóleo e gasolina tradicionais (oriundas do petróleo).

As consequências do uso do milho, da cana do açucar, do trigo, do arroz, do óleo de palma e de outros óleos vegetais — alguns dos produtos alimentares sob a pressão do sector dos combustíveis — , à medida que o preço do petróleo e do gás natural continuarem a subir, vão ser catastróficas. Em primeiro lugar, em todos os países e grupos sociais que dependem criticamente da importação e do consumo destes alimentos. Depois, na subida generalizada do preço dos bens alimentares. Os cereais servem para alimentar directamente as pessoas, mas servem também para alimentar a carne e o peixe que comemos. Isto é, desviar o seu uso para a produção de etanol, em nome de uma civilização automóvel condenada, apenas contribuirá para o efeito autocatalizador da dinâmica implosiva do actual modelo civilizacional. Reciclar os óleos usados na produção de combustíveis é uma boa medida de mitigação dos efeitos catastróficos da espiral altista dos preços do petróleo e do gás natural. Relançar os transportes colectivos terrestres, fluviais e marítimos, urbanos, inter-urbanos, regionais, nacionais e internacionais a uma escala sem precedentes é a única medida capaz de minorar os efeitos trágicos da implosão de um parque automóvel privado, desprovido de recursos financeiros para a sua utilização, e de um sistema de transportes aéreos igualmente condenado. Desenhar, preparar e declarar um Estado de Emergência Energética (ou mais latamente, de um Estado de Emergência Ecológica), visando a implementação de medidas de eficiência energética radicais e de gestão dos recursos globalmente considerados, parece-me a única estratégia com a capacidade de minorar os enormes danos económicos, sociais, políticos e humanitários que advirão da longa crise energética em que estamos todos metidos.

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